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A FALTA DE TRANSPARÊNCIA E DE PLANEJAMENTO DO DEPARTAMENTO DE FUTEBOL NA GESTÃO DO ESPORTE CLUBE VITORIA VEM HUMILHADO O SEU MAIOR PATRIMONIO: O TORCEDOR RUBRO NEGRO

Por Luis Antonio Santos e Santos

Programa Planetários Noticias

Como se sabe, o ESPORTE CLUBE VITORIA é uma das associações desportivas do Estado da Bahia, o qual fora constituído pelos seus fundadores e mantido por diversas receitas, inclusive as advindas dos seus torcedores. Sabe-se também, que a atual Diretoria fora eleita com vistas a organizar e administrar o Clube com total transparência e retidão.
É fato público e notório que o ESPORTE CLUBE VITORIA, vem passando por ao uma Gestão de Futebol desastrosa, assim como, tem surgido noticias na imprensa de outras aberrações administrativo-financeiras que dão conta de que vem interferindo e muito no Departamento de Futebol Profissional do Clube. Em virtude disso, todos os Torcedores passaram a exteriorizar publicamente sua irresignação com a forma de gestão do futebol do ESPORTE CLUBE VITORIA, propagando graves críticas sobre a atuação Diretoria desta entidade.
Isso porque, nada obstante a força natural do ESPORTE CLUBE VITORIA no cenário desportivo pátrio, a rigor, Atual Gestão do Clube vem chancelando seus atos decisórios  sem o mínimo de transparência e comprometimento com seus torcedores através de uma atuação lamentável e desastrosa por parte de certos “gestores”, que se “alinham” com aproveitadores externos e vem prejudicando e ridicularizando o ESPORTE CLUBE VITORIA.
A coisa esta tão absurda que vários conselheiros do Esporte Clube Vitoria deixou o Conselho de forma abrupta e sem uma justificativa plausível o porquê dessa debandada,  muitos setores da imprensa vem noticiando que muitos estariam se afastando do clube por não concordar com a Gestão que faz parte. Sem deixar de levar em consideração que outros afastamentos já foram feitos, e os membros do conselho, que pediram afastamento em conjunto por não ter acesso às contas do clube (fato noticiado na imprensa); bem como, as idas e vindas de  Diretores de Futebol.
Com efeito, verifica-se que a Presidência do ESPORTE CLUBE VITORIA possui todos os mecanismos financeiros para manter uma base política no âmbito dos seus órgãos deliberativos, como corolário da possibilidade de gerir os recursos da entidade afastando-se da moralidade e da impessoalidade, tão exigidas pelo moderno conceito de gestão.
Nesse contexto, vale frisar que o torcedor tem total legitimidade para exigir Prestação de Contas do Clube que acompanha, isso com base no Código de Defesa do Consumidor, como também, no Estatuto do Torcedor.
Corroborando esse ponto, urge dizer que, embora o ESPORTE CLUBE VITORIA publique seu balanço contábil anual em seu sitio eletrônico, especificamente no que toca as receitas e despesas, neste documento não consta a indicação dos beneficiários, dos valores envolvidos, das condições e forma de pagamento, gerando, assim, uma nebulosidade intransponível para o os seus Torcedores/Consumidores.
Importante frisar que a decisão em favorecer esta ou aquela pessoa física ou jurídica depende da manifestação única e exclusiva dos ocupantes da Direção do Esporte Clube Vitoria – o que pode resultar em desvio da finalidade da própria Direção.
Ademais, a questão ganha contornos de maior relevo ao se considerar o montante envolvido nestas operações – são centenas de milhões de reais em ganhos e gastos com determinadas pessoas físicas e jurídicas, por ato da Gestão do Clube, que tem a faculdade de, inclusive, desistir do direito de receber a restituição do valor corrigido.
Nada obstante a relevância do tema, pontua-se que o Esporte Clube Vitoria não garante aos seus TORCEDORES/CONSUMIDORES a necessária transparência nestes negócios jurídicos, que encerram uma das formas de gestão obscura dos recursos da Entidade, autorizando, por conseguinte, o manejo de ações judiciais de prestação de contas, na forma do art. 550 do CPC.
Portanto, o TORCEDOR do Esporte Clube Vitoria possui substancial dúvida sobre a forma e as razões pelas quais estão sendo realizados NEGÓCIOS JURIDICOS, e se os mesmos estão sendo quitados pelos seus devedores, de modo a aferir se O ESPORTE CLUBE VITORIA está sendo gerido de forma responsável.
Na esteira desta argumentação, como também da circunstância que ora envolve toda a historia de um dos maiores e mais importantes clubes de futebol do Brasil e possuidor de uma apaixonada torcida não pode continuar sendo humilhado com a péssima forma de gerir do departamento de futebol do clube.
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UMA GESTÃO DE FUTEBOL QUE RESPEITE OS ANSEIOS DO SEU TORCEDOR E DETERMINE CARACTERISTICAS DE UM CLUBE VENCEDOR

Começo dizendo que o segredo de gestores que são bem-sucedidos em grandes projetos, a meu ver, reside em fazer os funcionários identificarem, no propósito do Clube, a realização de seus propósitos pessoais.

Esse alinhamento de propósitos é a mola do sucesso, porque é o que vai realmente engajar o time na força-tarefa exigida por um grande projeto. Caso contrário, aconteceria aquela inversão de sentimentos ali de cima: “como funcionário, não me adiantaria muito saber que o que meu chefe realmente quer é comprar um Porsche, ou pagar cursos no exterior para os filhos”.

Por isso, o processo de engajamento deve começar desde o inicio, muito antes de que o clube precise enfrentar situações conflitantes. Esse cultivo de um propósito bem específico deve permear qualquer recrutamento realizado pelos gestores, para que consigam atrair talentos que se identifiquem com a cultura do futebol estabelecida no real planejamento do Clube.

Como disse Gerald Thomas: “A proeza do futebol é, justamente, a de ser um anti-teatro, apesar de se encaixar com imensa e igual perfeição na tragédia e na comédia. Apesar de haver um texto, um vocabulário, sua organização tem que ser repensada a cada instante”.

Há muito tempo o meio esportivo discute a validade de se fazer planejamento em futebol, estabelecendo-se metas e ações de curto, médio e longo prazo. Se, por um lado, não se pode comparar friamente um clube de futebol com uma empresa, por outro, é preciso entender que o futebol, como instituição, não é uma ilha isolada das demais instituições brasileiras.

Portanto, não está imune ao conjunto de forças que se organizam em nossa sociedade. Tal qual empresas, os clubes de futebol necessitam pensar e executar seus planos imediatos e para os anos vindouros, se quiserem alcançar performances sustentáveis e reprodutíveis.

Entretanto, o Esporte Clube Vitoria ainda se utiliza de métodos arcaicos na gestão do futebol. Nota-se que o amadorismo e a falta de interesse ainda imperam principalmente pela falta de respeito e pouca valorização que algumas gestões dispensaram ao principal patrimônio do Clube: O TORCEDOR DO ESPORTE CLUBE VITORIA!

Time forte não é aquele com as maiores estrelas. Mas aquele que se encontrou no meio da competição. Mas, é preciso ter um nível de organização que suplanta as qualidades individuais de cada atleta. Um clube vencedor é aquele que faz um bom e promissor planejamento do que pretende conquistar ao longo da temporada.

Eis o problema do Esporte Clube Vitoria, enquanto o seu torcedor sonha e acredita em títulos. Parte dos seus dirigentes estão mais preocupados em como equilibrar os cofres. E o resultado é um declínio no futebol que acaba cominando com perdas financeiras.

O ESTATUTO DO TORCEDOR – LEI Nº. 10.671/03

Devido ao fato das relações de consumo está cada vez mais presentes na vida das pessoas necessitam aquelas serem reguladas e normatizadas, para melhor atenderem aos anseios de uma sociedade, como foi feito com o CDC. Dentro desse contexto de moralização das atividades econômicas é que surge o Estatuto do Torcedor, Lei nº. 10.671 de 15 de maio de 2003, como uma lei que visa regular a atividade esportiva no Brasil, até então pouco estudada. Os eventos públicos de caráter esportivo têm sido reconhecidos como de grande relevância social, gerando leis que regulamentam tais eventos em vários países do mundo. (DUARTE, 2009).

O Estatuto do Torcedor (ET) segue o modelo do Código de Defesa do Consumidor, no que tange à proteção do ente vulnerável, que no caso é o torcedor, o qual dentro dessa sistemática é equiparado ao consumidor. (WADA, 2009)

Assim, o Estatuto de Defesa do Torcedor, adotando o exemplo do Código de Defesa do consumidor, estende sua tutela protetora a uma grande parte da sociedade, que no caso em tela são os torcedores, aqueles que vão ao estádio ou mesmo os que acompanham o time de sua simpatia. (DUARTE, 2004).

A Lei n°. 10.671, em seu art. 2° dispõe que “torcedor é toda pessoa é toda pessoa que aprecie, apóie ou se associe a qualquer entidade de prática desportiva do país e acompanhe a prática de determinada modalidade esportiva”. (BRASIL, 2005).

Dentro dessa sistemática, devem-se observar os sentidos de apreciar, apoiar e associar-se. J. Vieira, “apreciar é admirar, ter em consideração. Apoiar é favorecer ou patrocinar, e associar-se é colocar-se na condição de sócio. Complementa ainda o autor dizendo que “quem se associa resolve compartilhar os lucros e as perdas”. (2003, p.12).

Ainda neste sentido, completa J. Vieira (2003, p.12): Um clube de futebol é uma entidade desportiva. Assim quem simplesmente aprecia, atua pelo lado de fora. Quem apóia já oferece contribuição “por dentro, por estar suportando ou patrocinando as atividades. Ora, quem se associa se submete as regras contidas nos estatutos ou regimentos da entidade, deve se comportar como dono de uma partícula do todo que o somatório dos bens corpóreos e incorpóreos da coisa que representam.

O ET torna a definição de torcedor mais extensa. Para a lei, quem somente acompanha a competição pode ser considerado torcedor e não somente quem vai ao estádio. (KFOURI, 2009).

Desta forma, temos torcedor como uma pessoa genérica, na qual a Lei institui a função de torcedor, que se caracteriza dentro desse conceito, mesmo sem qualquer associação previa, bastando para configurar tal situação a mera eventualidade. (MANOLE, 2003, p.96).

 

Em seguida, o parágrafo único do art. 2°. do ET dispõe que: “salvo prova em contrario, presume-se a apreciação, o apoio ou o acompanhamento de que se trata o caput deste artigo”. (MANOLE, 2003, p.96). A presunção de que trata esse dispositivo, segundo J. Vieira (2003, p.12) quer dizer: Tirar conclusão baseada em indícios […]. Afinal, a lei fala de presunção pelo simples fato de que o carinho do torcedor por seu clube é perceptível pela simples demonstração de afeto. Seja pelo vestir a camisa. Possuir o chaveiro, usar o adesivo do clube ou pelo testemunho dos colegas torcedores. Assim, fica presumida, salvo prova em contrário, a apreciação, o apoio ou o acompanhamento, por parte do torcedor, das atividades desenvolvidas por entidades esportivas.

Desta forma, o Estatuto do Torcedor busca os princípios e garantias inerentes aos torcedores, juntamente com o Código de Defesa do Consumidor, se mostrando uma lei de extrema importância para a celeridade do desporto nacional. Assim, os clubes e as federações se equiparam a fornecedores, e os torcedores a consumidores, ambos passando a integrar uma relação de consumo e sujeitando-se a direitos e deveres parecidos aos previstos no Código do Consumidor.

Sendo assim, há claramente uma equiparação do torcedor ao consumidor. Isso porque, primeiramente, ressalta-se que antes do Estatuto do Torcedor, o torcedor, em algumas hipóteses, mantinha relações jurídicas amparado pelo Código de Defesa do Consumidor, ou seja, o referido Estatuto veio para aumentar, complementar a proteção existente.

 

DA NECESSIDADE DE TRANSPARENCIA E LEALDADE DOS CLUBES DE FUTEBOL COM O SEU TORCEDOR

 

O futebol no Brasil não é somente um esporte. É o jogo que reflete a própria nacionalidade de uma terra dominada pela paixão pela bola. O futebol apresenta certas características que o diferenciam das demais atividades econômicas, assim consegue despertar sensações que outras atividades econômicas não fazem aos seus clientes, ou seja, o futebol age diretamente com a emoção, com a paixão de seus clientes/torcedores que são fiéis ao seu time. Portanto o clube de futebol desempenha tanto papel econômico como social, dos quais o fator psicológico é um dos que diferencia esta atividade das demais.

No mundo, o futebol se converteu em um negócio altamente lucrativo, através do suporte desproporcionado dos meios de comunicação, com atletas de elevado rendimento considerados produtos altamente comercializados e valorizados.

De acordo com uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o setor esportivo movimenta R$ 30 bilhões por ano, originados da comercialização de produtos como bolas, camisas de clubes, ingressos, patrocínios, apoios e direitos de imagem. A pesquisa ainda mostrou que enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresceu em média 2,25% de 1996 a 2000, no mesmo período, o PIB do esporte registrou um acréscimo médio anual de 12,34%. A nova realidade é que o Esporte Futebol é um sistema complexo, integrado as mudanças econômicas, sócio-políticas e mudanças culturais no mundo moderno.

O ESPORTE CLUBE VITORIA E O FUTURO

Um dos maiores desafios do ESPORTE Clube Vitoria é o de construir um time de alta performance. Para montar um time campeão, o Gestor precisa integrar os membros da sua equipe, criando sinergia e obtendo o melhor de cada um a fim de superar os resultados desejados. Mas nem todos conseguem o grau de integração almejado. Alguns atingem os objetivos propostos à custa da felicidade das pessoas, em um ambiente de competição nociva e discórdia. Outros até criam excelente clima entre as pessoas, mas a equipe não consegue produzir os resultados necessários e reina entre elas uma espécie de integração improdutiva.

E é isso que tenho observado no ambiente do Vitoria. Na prática do futebol visualizamos com mais facilidade os benefícios criados pelo esforço conjunto, integrador e interdependente ou os prejuízos causados pelo individualismo, quando o estrelismo é mais forte que o conjunto. Mas a própria estrutura departamentalizada que funciona na base do “cada macaco no seu galho” impede a sinergia. A conseqüência é um custo invisível bastante elevado que corrói a eficácia do objetivo principal do Clube.

Ao longo da minha trajetória ajudando alguns Clubes da Argentina, Uruguai, Colômbia, e também alguns Clubes brasileiros, tenho observado algumas iniciativas dos líderes que fazem com que um grupo de pessoas, verdadeiras “ilhas de excelência” se transformem em equipes, em “arquipélagos de excelência” e trabalhem como sinfonias de competências. A primeira iniciativa que faz a diferença é a correta escolha dos membros da equipe. Muitos líderes negligenciam o processo de escolha e depois passam o resto do tempo gerenciando problemas em vez de lidar com oportunidades. A outra é a falta de determinação coerente da forma de comportamento do time ao longo da temporada. Como sempre costumo dizer: “quem não tem seu sistema de pensamento organizado fica a mercê de quem o tem!” Ou seja, um Clube de Futebol vencedor tem que ter suas próprias características que não mudarão em detrimento da vontade dos seus “funcionários”.

Esperamos que nesses 20 (vinte) jogos restantes do campeonato Brasileiro da Serie A 2018, com a chegada do treinador Paulo Cesar Carpegiane, o time reaja e possamos conquistar pontos que nos garanta uma melhor colocação no campeonato. E que a partir de 2019 possamos repensar os rumos do Departamento de futebol do Esporte Clube Vitoria.

Luis Antonio Santos e Santos

Radialista/Locutor, Advogado, Gestor de Futebol e Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais

 

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